Espelho que vejo,
Fitando ao olhar,
Condena o desejo,
O mais louco gracejo;
Esse tabu malcriado,
A mancha do horror,
Quebrando as vidraças,
Eterno enjaulado;
Não saia daqui;
Apenas tu sabes,
Pois tu és o vazio,
Que apenas dentro de mim cabe;
Enigmático monstro,
Monto-te e romonto,
Meu ser vibrante;
Daí não sairás,
A chave já perdida
Não lhe libertarás.
Mas nada irás fazer,
Enquanto aqui estiver;
Imagem no espelho, vós sois.
Quem vós copiais, sois eu.
Não me condenas,
E me perdoe por te trancafiar,
Pois dos males tu és o menor.
Olhando no espelho,
Tenho pena
De tudo aquilo que,
Dentro de mim,
Terás de enfrentar.
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