quarta-feira, 29 de abril de 2015

domingo, 26 de abril de 2015

Estranho esse pudor
Minhas 
       Moléculas 
                se 
                   quebraram
Sem destroços
      Sem dor

E foram rumo ao cosmos

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Vibração

Vibre
      até se desfazer 
           em raios

Vibre
        de junho até maio

Vibre
       fazendo da vida um ensaio

    Vibre
            sem um destinatário
   
   Vibre
          com eloquência

          Vibre
com demência 

     Sob a frequência de um desmaio
             às chuvas de maio

  Vibre
      com eloquência já dita

           Pois este mundo só vibra
para aquelas cuja frequência
                                   é confundida com demência

às águas de maio

sexta-feira, 17 de abril de 2015

A tal da igualdade
        Idealizada por todos

Ainda Consegue
Ser taxada 

        Pobre coitada

Como coisa da idade

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Celofane

     Criemos agora uma personagem hipotética em uma situação hipotética.
     Era uma vez Celofane. Um ser pequeno, um ser que pisado se pisava. Coitado, um ser tão vazio!
     Celofane ia à escola e Celofane queria acreditar que seu futuro era certo. Amava crer que sabia de algumas coisas. Olhava com olhos vazios, pensava que pensava pensamentos cheios de tudo aquilo que não suportava crer que era, e nutria um sentimento incontrolável de ir contra sua natureza e ser tudo aquilo que sabia que nunca poderia ser. 
     Celofane não era visto perante ninguém. Tentava, como todos. Odiava se sentir transparente, mas não compartilhava isso com ninguém. Afinal, como compartilhar? Celofane era vazio, um ser tão vazio!

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Qual o segredo 
    Para que essa vontade

     Que me consome e amola

De ser melhor que todos
     Não seja minha cova?

sábado, 4 de abril de 2015

Sobre encontros desencontrados

     Não é novidade, e nem nunca foi, aquele singelo momento em que, andando por algum lugar, você vê um rosto conhecido. Não um rosto amigo: um rosto conhecido. Pode acontecer enquanto passa de carro e o semáforo é sujeito ao brilhante acaso de paralisar bem no momento em que alguém que um dia você conheceu está ao seu lado, ou num simples almoço em um local rotineiro. Não dura muito, mas às vezes surge em nós um efeito retardado de "Nossa, acho que conhecia essa pessoa. Vou olhar pro outro lado antes de.... Ela olhou... Seja educado" (balançada de rosto, sorriso momentâneo para mostrar reconhecimento, desvio de visão a qualquer outro lugar para encerrar o assunto ali). 

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Conversa

Um casal de poetas conversava
Com calos de paixão em cada sílaba

- Como a gente é bobo, né? - observa a garota. - Será que é coisa de poeta, essa mania de se envolver muito rápido?

O garoto permanece calado.

- Deve ser... - A garota continua. - Acho que é coisa de poeta viver nos extremos. Felicidades absurdas, tristezas absolutas. 

Olhando vorazmente, o garoto diz o que está em sua mente:

- Com rima,
  Sem rima,
  Tudo sempre,
  Sempre se transforma em pranto,
  Até gírias viram encanto.

- Daqui a pouco até o vento vira poesia