quarta-feira, 15 de julho de 2015

O blog foi transferido

É com muito prazer que apresento, para todos que me acompanham, o meu novo blog. O conteúdo é o mesmo, mas nada é como o presente.
Inconscimente.wordpress.com

sexta-feira, 10 de julho de 2015

O soneto

Odeio sonetos
A tal ponto
Que quero desfigurá-los
E dividí-los em feudos

Com suas raras exceções
São-me tão detestáveis
Quanto atores pitorescos
E sem emoções

Essas feras sem bando
Levando todos e sempre
Ao eterno pranto

Os sonetos que se explodam
Não os quero junto às minhas marcas
A não ser que sejam menos que larvas

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Foi de raspão

Quase que bloqueiam para sempre
O espírito sonhador;

Isso não é surpresa
Quando tudo o que sentimos
Com o fracasso
É a pura dor

Somos egoístas a esse ponto
Deveríamos ser presos por imprudência
Este mundo não merece um rei
Interpretando um peão

       Peão a mais
              Peão a menos

Se podemos nos fazer valer
    Que seja com tudo o que temos

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Doce e mar


Pequena flor no mar

Destroçada flor no mar

De tua terra lhe arrancaram

Amassaram, e tuas pétalas arrancaram

Pequena flor no mar

Desprovida de espinhos 

Oh, espinhos! Como encantavam!

Oh, pequena, não te deixes afogar

Já nadaste no fogo

Já provaste do doce

Mas o mundo é salgado

Salgado demais para uma flor

Por isso, nade

Sem se prender

Sem morrer

Pequena flor no mar

Espero-te ao alvorecer

Sabendo que ao mar

Não irá se render

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Fomos sugados pela roda
Quem sou agora?
A propaganda
Ou aquele que dita a moda?

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Disseram que era
Um mundo, mundo, vasto mundo
E a criança segurou uma lágrima
Por pensar ter o mundo
Na palma de sua mão

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Alegoria

Sendo o quê
Sempre eu 
         E você
Sem saber
      Quanto mais ceder
Quantos somos
        Eu
             E você

Sem te ver
Quiçá vivemos
     Sem me deter
Eu queremos
      Só saber
Quanto menos entendemos
O quanto eu refletimos
      Determinamos
      Que nossas visões
       E demônios
   Não são meros demodés 

Ou há você em mim
     Ou me adequei a viver
Sempre
            Louca 
    Desvairadamente 
          Em você

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Desapontamos
Os pontos
Destampados
E nossos ossos
Desgostosos
Vão nos
Desmontando

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Tão longe estamos
Sempre do horizonte
Tão deveras distantes
Do horizonte escarlate
Que sangra de saudade
E sobressai
A clareza dos anos

terça-feira, 19 de maio de 2015

Arte

Depois de me ater,
         Viver, entediar
Vendo na vida a vida
       Ja tão estabelecida

Uma caveira avistei numa nuvem
      Clara, clara nuvem
E vi que, porventura,
       Não há na vida a vida vivida
A não ser a vida nas cinzas
       Levadas pelo ar
     
Pois do que mais se trataria a vida
      Senão a arte de saber definhar?

terça-feira, 5 de maio de 2015

Sobre genitoras e mães

     Ainda me lembro de ouvir minha mãe chegando em casa de manhã, nos finais de semana, após ter passado a noite trabalhando no hospital. Lembro-me de ir até seu quarto e de deitar ao seu lado, tentanto não fazer barulho para não acordá-la. Nunca consegui. Por mais silencioso que fosse, em poucos instantes eu sentia uma mão a afagar minha cabeça. E afagava. E afagava. Até eu dormir.
     Percebo o quão relevantes foram essas carícias, agora que sei o quão reconfortante pode ser se jogar na cama e simplesmente dormir. Mas ela não o fazia: primeiro ela tinha que fazer seu filho dormir (isso quando outros dois pirralhinhos não surgiam do nada para se deitar ao seu lado também). 
     Quiçá, esse é um dos significados de ser mãe: noites (ou dias) de sono perdidas. Digo de ser mãe, e não genitora. Veja bem, há uma grande cortina de ferro entre as duas palavras. Uma mãe pode ou não ser uma genitora, mas nem toda genitora é uma mãe. Enquanto que ser genitora é apenas ser a mulher que resguardou um indivíduo por 9 meses em seu ventre, ser mãe é uma arte, um desafio, às vezes quase tortuoso, um compromisso de amar incondicionalmente um outro indivíduo, de esperar o melhor dele, de ,em alguns casos, passar fome por ele, de passar por cada fase insuportável, desde a infância até, em alguns casos, a velhície.
      Diferentemente de ser genitora, uma mãe não precisa, necessariamente, de ter laços sanguíneos, pois ela encontra todos os laços necessários no interior do sentimento. Ser mãe é ser um paradoxo. O sentimento faz a mãe ou a mãe origina o sentimento? Quem nasceu primeiro, o filho ou a mãe? Ser mãe é ter aquele cheiro peculiar, o abraço peculiar, o toque peculiar. Ser mãe é ser filha. Ser mãe é ser, na maioria das vezes, sua única amiga, a pessoa que vai te reconfortar e dizer que "você não é gordo, você é forte", e ser mãe é ser a última pessoa que um filho quer ver chorar, e que se chora a cena se torna mais comovente do que milhares de desastres naturais.
      Certa vez perguntei para minha mãe se ela queria ter um filho aos 15 anos, e ela olhou nos meus olhos e disse que sempre quis ter alguém como eu na vida dela. E talvez esse seja mais um significado de ser mãe: simplesmente ser mãe. Demasiadamente mãe.
       Mesmo após todo esse tempo, e neste Dia das Mães, ainda sinto suas mãos em meus cabelos, e, se eu tiver sorte, nunca irei me esquecer.
        E afagava.
              E afagava.
       

quarta-feira, 29 de abril de 2015

domingo, 26 de abril de 2015

Estranho esse pudor
Minhas 
       Moléculas 
                se 
                   quebraram
Sem destroços
      Sem dor

E foram rumo ao cosmos

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Vibração

Vibre
      até se desfazer 
           em raios

Vibre
        de junho até maio

Vibre
       fazendo da vida um ensaio

    Vibre
            sem um destinatário
   
   Vibre
          com eloquência

          Vibre
com demência 

     Sob a frequência de um desmaio
             às chuvas de maio

  Vibre
      com eloquência já dita

           Pois este mundo só vibra
para aquelas cuja frequência
                                   é confundida com demência

às águas de maio

sexta-feira, 17 de abril de 2015

A tal da igualdade
        Idealizada por todos

Ainda Consegue
Ser taxada 

        Pobre coitada

Como coisa da idade

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Celofane

     Criemos agora uma personagem hipotética em uma situação hipotética.
     Era uma vez Celofane. Um ser pequeno, um ser que pisado se pisava. Coitado, um ser tão vazio!
     Celofane ia à escola e Celofane queria acreditar que seu futuro era certo. Amava crer que sabia de algumas coisas. Olhava com olhos vazios, pensava que pensava pensamentos cheios de tudo aquilo que não suportava crer que era, e nutria um sentimento incontrolável de ir contra sua natureza e ser tudo aquilo que sabia que nunca poderia ser. 
     Celofane não era visto perante ninguém. Tentava, como todos. Odiava se sentir transparente, mas não compartilhava isso com ninguém. Afinal, como compartilhar? Celofane era vazio, um ser tão vazio!

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Qual o segredo 
    Para que essa vontade

     Que me consome e amola

De ser melhor que todos
     Não seja minha cova?

sábado, 4 de abril de 2015

Sobre encontros desencontrados

     Não é novidade, e nem nunca foi, aquele singelo momento em que, andando por algum lugar, você vê um rosto conhecido. Não um rosto amigo: um rosto conhecido. Pode acontecer enquanto passa de carro e o semáforo é sujeito ao brilhante acaso de paralisar bem no momento em que alguém que um dia você conheceu está ao seu lado, ou num simples almoço em um local rotineiro. Não dura muito, mas às vezes surge em nós um efeito retardado de "Nossa, acho que conhecia essa pessoa. Vou olhar pro outro lado antes de.... Ela olhou... Seja educado" (balançada de rosto, sorriso momentâneo para mostrar reconhecimento, desvio de visão a qualquer outro lugar para encerrar o assunto ali). 

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Conversa

Um casal de poetas conversava
Com calos de paixão em cada sílaba

- Como a gente é bobo, né? - observa a garota. - Será que é coisa de poeta, essa mania de se envolver muito rápido?

O garoto permanece calado.

- Deve ser... - A garota continua. - Acho que é coisa de poeta viver nos extremos. Felicidades absurdas, tristezas absolutas. 

Olhando vorazmente, o garoto diz o que está em sua mente:

- Com rima,
  Sem rima,
  Tudo sempre,
  Sempre se transforma em pranto,
  Até gírias viram encanto.

- Daqui a pouco até o vento vira poesia

sábado, 28 de março de 2015

Uma observação sobre o silêncio

     Existem coisas as quais simplesmente não damos valor, subestimamos, não sentimos. Há aqueles que usufruem da beleza do simples viver a todo momento, da natureza, do vento a bater no cabelo, do contato humano; e há aqueles que vivem sem reconhecer a beleza de viver. Encontramo-nos com essas pessoas todos os dias. Seu mundo não é o verdadeiro mundo, e sim aquele se prenderam. 

quarta-feira, 25 de março de 2015

Pequenos grandes sonhadores

     Hoje não dedico o que escrevo a nenhum sentimento desnudado ou fato desmiolado. Venho falar sobre as engrenagens essenciais de nossa sociedade, a razão da evolução contínua, e muitas vezes aqueles que são punidos por ser o que são: Os sonhadores do dia-a-dia.

sábado, 21 de março de 2015

Difícil

Difícil é conviver
Com relações extremas
Dormir em cima de armas
Guerrear com flores e penas

Pisar em edifícios
Observar as formigas

Difícil é almejar
     O amor contemplado
Quando o amor recebido
Não se equivale ao amor
    Que por ti é dado

Difícil é aproveitar a queda
Sem abrir o para quedas
E quando a terra avistar
Não saber distinguir o céu
Da água do mar

E aposto que neste ponto
Mesmo distantes
No monte, no campo
Na cidade, na lua minguante
Todos irão concordar

Pois, caso contrário,
Para que os anos, a vida, o amor
Serviriam?
Apenas para somar?

quarta-feira, 18 de março de 2015

Peguei as pedras no caminho

        E

      Com um certo jeito próprio

Pedras no caminho viraram carinho

sexta-feira, 13 de março de 2015

Poltronas

Dizem que os tempos mudam
Ou o mundo muda os tempos
Decerto, os ares mudam
Antes respirávamos bloqueios
Hoje possuímos outros meios

Reis do mundo,
fiquem onde estão
Entre salas medíocres
E telas de televisão

Deixem que o mundo mude seus tempos
E que os tempos presenteiem o mundo
Reis do mundo, não se levantem
Quiçá, isso é um conselho

Crianças podem fazê-lo
A última risada, seus filhos darão

As poltronas necessitam de um esqueleto
E, logo, o fúnebre chiqueiro
Os museus, o leilão
Terão um peça para rir de antemão

terça-feira, 10 de março de 2015

Pra cá
      Pra lá
Não sei

perdi a conta
De quantas vezes meu caminho
           Errei

sábado, 7 de março de 2015

"Obituário"

É gente de menos
gastando o tempo
com dias amenos

Nasceu, cresceu, morreu
Te peguei no colo!
Que gracinha, você vai pro buraco!

Hoje ou amanhã
Isso enche o saco
Chega aqui e já cai lá

Quem não morre, nunca vive
Quem não vive, já faleceu

A solidariedade morreu
quando nas pessoas sobressaiu-se o Eu

Seu avô morrera
e ele já fora um bebê que nascera

O cachorro, o gato, o presunto na geladeira
Tudo morre,
até Deus já faleceu

É tanta gente em baixo da terra
que o próximo deve ser...

domingo, 1 de março de 2015

Adulto

     Leonardo acordou pela manhã e decidiu: "A partir de hoje, serei adulto!". Não tinha graça ser criança. Então, reuniu tudo aquilo de peculiar que notava no comportamento de alguns adultos ao seu redor, e escreveu num bloco de papel, numa lista. 
     Ainda antes da escola, pôs-se a seguir a lista. O primeiro passo era ler jornal. Apanhou o jornal, sentou-se na mesa com uma xícara de café e começou a lê-lo na sessão de política. Não entendeu muita coisa, pois não lia muito bem. No entanto, disse: "Que absurdo! Este País tá perdido mesmo. Político é tudo corrupto!". 

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

"Comprazidade"

Um tipo de feto do sentimento
que a internet define
como similar a afeto

Comprazidade que não tem
mas colocamos nela idade
idosa no asilo
das palavras, banida com voracidade

discutida por sinônimos
sentida por antônimos
Há milhares de anos

Com
        Pra
              A minha
 Com 
         Pra
               Zidade

Lhe amo
       E lhe chamo de Jade

sábado, 21 de fevereiro de 2015

"Estrelas na terra"

Estrelas cadentes
amores melosos
amizades decadentes
faces condolentes

Não sei se amo essas estrelas
onde me causam
sensações indecentes

Talvez ame estrelas crescentes
talvez amores de era
amizades eternas

Ou talvez ame aproveitar cada pedacinho
apreciá-los com um copo de vinho
de cada amor, face fora do véu

Nada melhor que estrelas que caíram do céu

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

A vida

     Acordei cedo e tomei um leite quente vendo o Sol nascer. Vou te contar, a vida se baseia nisso.
     Leite quente? Isso é porque você nunca viu o Sol se pôr tomando uma boa xícara de café. Talvez a vida se baseie nisso.
     Pular na água num dia quente. Esse é o significado da vida.
     Que nada! Se a vida tem um significado, é ouvir sua música preferida e dançá-la sem ninguém te julgar.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

"Descalço"

Faço e desfaço
laço e entrelaço
girando no balanço do parque
sempre descalço

Procuro o sonho ao meu encalço

nothing to see, that's awesome
nem mesmo vendo do terraço

Ou seja, assim me embaraço

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

"A cruz é a espada"

Vejo um portão fechado
uma cruz ao lado
um guerreiro alado
que de tão duvidoso é odiado

Ele não morreu, foi criado
dizer isso alto pode causar desagrado
então deixe-o ser amado
um amor deprimente, estagnado 

Espero o portão fechado
sem uma cruz ao lado
e verdadeiras ações humanas
ao invés de um medo depravado
de que no fim da vida tudo que você conhece
com você será queimado 

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

"Astral"

Cansei-me de frustrações cotidianas
De alimentos entorpecentes
Modos delinquentes 
de olhar tal membrana

Só não sei se o astral é derivado
Talvez mude amanhã
ou continue maltratado

Enalteço tudo
e tudo é uma lembrança

Os caminhos, afinal, são sempre brincadeiras de criança

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

"Bon voyage"

Queria cair
no mar de pétalas
chamado vontade
inspiração sem prazo de validade

num meio vaidoso
nunca desgostoso
sim, aí queria me sentar
numa poltrona na sala de estar
Queria cair
ante o paraíso majestoso
com uma caneta perante um mundo desastroso
uma bolha ferida
e minha insanidade querida

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

"Laço"



Faça do espaço
Um laço 
Entre as folhas e o inverno
Céu e inferno
Fogo e gelo
Um ranzinza e um palhaço